.::Sonhadora, + Sensivel do que
vc imagina, Manhosa, Misteriosa, sem papas na lingua.
Alucinada pela Lua, Mistica e Instavel, Romantica e Medrosa, Impulsiva e Metodica, Apaixonada e confusa, Intensa e Mutante.
21 Primaveras vividas em Belo Horizonte
aspirante a Medica e muito feliz no seu ralacionamento que já dura
02 anos e 9 meses.
Adora Livros, Músicas e Filmes... sorrir e olhar.
Não sei se estou perto ou longe de mais, se peguei o rumo certo ou errado. Sei apenas que sigo em frente, vivendo dias iguais de
forma diferente. Já não caminho mais sozinha, levo comigo cada recordação, cada vivência, cada lição. E, mesmo que tudo não ande da forma
que eu gostaria, saber que já não sou a mesma de ontem me faz perceber que valeu a pena..."
Sou a parte de um todo.
Sou única e complexa.
Eu me completo,
me basto e me satisfaço.
Sou capaz de mudar de
idéia como mudo de roupa. Amo na mesma intensidade com a que posso odiar.Gosto de amores intensos.
Gosto do vento que anuncia a chuva, gosto do barulho da chuva e do ar melancólico que ela causa no ambiente.
Sonho muito e realizo pouco. Escuto mil vezes a mesma música, danço na frente do espelho. Tenho medo do escuro.
Choro fácil. Tenho sorrisos tímidos e olhares provocantes. Ás vezes acordo achando á vida desbotada, sem cor, e sinto-me apodrecer por dentro,
nesses dias, tenho a certeza que meu coração parou e minha alma resolveu tirar férias, além de me encontrar vazio de pensamentos e sentimentos.
Gosto do perfume exalado por outros corpos, beijos lentos e abraços apertados. me permito vagar em sonhos e pensamentos Tenho metas, busco sonhos
e realizo desejos. Sou apenas um ser desse e do outro mundo.
Eu sou daquele tipo de pessoa que trava na hora de gritar. Que ouve mais do que fala, mas fala bastante quando pisam no meu calo.
No entanto, sou do tipo de pessoa que nunca soube resumir qualquer coisa. Que tem a auto-estima e o otimismo mais oscilante que um passeio de barco.
Que encontra forças no último minuto, mas encontra.
Inclusive, sou aquele tipo de pessoa que já deu e levou porrada da vida. Que fala com Deus por walkie-talkie.
Eu sou do tipo de pessoa que não te deixaria na mão. Mas que erraria, uma vez ou duas. E no fim, acertaria da melhor forma.
O tipo de pessoa que dá o melhor de si. Seja pra curar o teu choro, seja pra aprender mais uma vez...
Porém o tipo de moça que prefere escrever a praticar esportes. Que prometerá a academia até a extrema-unção. Que tem o irritante dom de perdoar. E o
incômodo dom de amar intensamente.
Eu sou daquele tipo de pessoa que valoriza e se emociona com pequenos gestos e que sai do sério com apenas uma grosseria.
O tipo chato de gente que sempre espera demais dos outros e acaba se decepcionando. Que quer perfeição em tudo que gosta. Que consegue achar romantismo
em qualquer porcaria. Que adora terror, mas sempre chora com o amor.
Esse tipo de gente eternamente insatisfeita. Decididamente indecisa. Insistentemente sonhadora. Assustadoramente sensível.
Mas CAPAZ MUITOOOOO CAPAZ.
::.
contos de escola ou menino-poeta, parte 10, parte 11 e parte 12
parte 10
encontrei-me no local escrito em tinta vermelha e borrada marcado naquele papel sagrado. sua letra não estava tão bonita, mas seria capaz de fazer um altar para glorificar tal objeto. dizia, em breves palavras, para nos encontrarmos na rua boa vista com a cinco de março, que logo descobri ser perto daquele tal café fatídico. saí apressado, sem dar satisfação à ninguém, e fugindo dos olhos atentos da minha irmã para que ela não percebesse o estranho rubor da minha face ou o suor constante que umidificou minha pele durante toda a terrível tarde de espera. fui com passos diretos e firmes, para que o tremor de minhas pernas não desviassem do caminho. mordia um dos lábios quando cheguei àquela esquina comum. estava escuro, encardido e não havia ninguém ali. temi que tudo fosse um golpe, que ela tivesse desistido desse encontro ridículo. talvez ela pensasse que se me deixasse esperando por ela por toda uma noite minha paixão minguasse, e assim pudesse dormir em paz sem se incomodar com ameaças ideológicas. sentei-me, talvez rezando para algum deus que ainda se importava com paixões febris e adolescentes, a observar o céu cheio de nuvens. meu mundo se assemelhava com tal céu nebuloso, carregado de dúvidas pertubadoras. fechei os olhos considerando a possibilidade de que, se ela não aparecesse, eu desse um jeito de sumir desse mundo. depois de minutos, os abri, e observei a bela lua crescente que uma das poderosas nuvens gentilmente a descobriu, talvez para apenas recobrar minhas esperanças perdidas. se ela não viesse... bem, se ela não viesse... eu não queria mais pensar naquilo. eu queria que a noite terminasse logo, logo. mas antes que pudesse matar todo meu entusiasmo, ouvi passos vacilantes. meu coração bateu depressa, poderia ser qualquer um, um mendigo bêbado ou um dependente em busca de uns trocados. mesmo assim, levantei-me, olhando de esguio para a sombra que se aproximava. sim, sorri contente, sim, era ela. sentei-me novamente e fingi observar o céu, tentando despreocupar minhas feições contorcidas. ao virar a esquina, ela olhou-me com um sorriso irônico.
- desculpa se fiz você esperar, menino. bonita noite, não?
gargalhou sarcasticamente. levantei-me, ficando em sua frente, de modo que ficara mais alto que ela, e que qualquer um na rua não diria que seriam aquele casal uma professora e um aluno.
- se olhar naquela direção, verá que aquela nuvem, ás vezes, deixa ver a lua que ali se esconde.
ela continuou com os olhos em mim, aqueles olhos de avaliadora. beijei o canto de sua boca macia. continou me olhando, como se fosse cientista testando reações de seu animal de cativeiro. beijei-a sem nenhuma timidez, segurando seus cabelos emaranhados e levando-a contra a parede. só depois olhei-a com mais cuidado. usava uma calça jeans apertada e uma bata decotada, sem adornos. fazia todo o sentido do mundo tê-la em minhas mãos.
- o que você quer com uma velhota como eu, menino-poeta?
- o que não encontrei em nenhuma menininha insolente.
- eu também já fui muito insolente. sua mãe não gostaria de te ver comigo, gostaria?
- bem, talvez seja isso toda a razão para minha paixão avassaladora. se minha mãe mandasse no meu coração, eu me casaria só com ela mesma.
ela riu com vontade e me beijou levemente, no rosto.
- você sabe o quanto isso é imoral e anti-ético.
- e também sei o quanto devemos permanecer calado.
ela me olhou daquele mesmo jeito quase insuportável, avaliando-me.
- você não está numa sala de aula, professorinha.
puxei-a para perto de mim e beijei seu pescoço.
- vamos ver o que você sabe fazer. venha, vamos sair desta rua escura.
parte 11
o quarto-sala que morava era caótico. havia panos coloridos e discos de vinil pendurados na parede. por todo lado, cadernos e papéis. uma arara guardava suas roupas, aquelas mesmas roupas que tanto desejava tirar desde a primeira vez que a vi. dormia no próprio sofá-cama, ou no tapete felpudo, entre as almofadas, nos dias de calor, como disse. tinha apenas uma bagunçada escrivaninha bamba e uma mesa de madeira onde fazia suas refeições. dizia que o fogão estava só de enfeite, pois quase nunca cozinhava.
suas pernas eram simplesmente maravilhosas. tirei a calça jeans com dificuldade, enquanto ela ria com vontade. a calcinha era preta, para meu puro delírio. tive vontade de rasgar sua bata, mas ela mordeu-me com força, deitada no tapete que tanto gostava, dizendo que tinha poucas roupas.
- por causa desse mau comportamento, vai ter que passar por umas provas antes de me ver nua.
- seu ego vai te matar, professorinha.
mordisquei seu pescoço e suas curvas salientes, massagiei seus pés frios, lambi suas coxas eriçadas, olhei-a vorazamente enquanto ela tirava minha camiseta e abria a calça com a maior facilidade do mundo.
- você é minha insanidade, me diz que tudo isso é verdade.
- mais poemas, menino-poeta, mais.
enrolei minha língua nas suas orelhas tentando captar todos os sons extraordinários para que pudessem ser meus. beijei seus olhos para poder tomá-los para mim e atravessar a janela da sua alma. encontrei com sua língua ácida para deixar nela o meu eu, e para que fizesse de mim, corpo e alma, somente dela. não havia mais duas pessoas separadas pela imoralidade ética de uma hierarquia irracional, mas dois seres que se uniam em fogo à busca dos segundos sem ar que fazem valer a mortalidade. quase não pude aguentar quando ela subira em cima de mim, arrancando a bata inútil, e lambendo-me devagar, apertandos seus seios contra meu corpo em êxtase. já sem poder segurar mais, penetrei com todo meu furor, ensejando chegar na sua alma. sorri, já sem forças, quando ouvi seu gemido desafinado e baixo, quase egoísta.
parte 12
fumava do meu lado, deitada e pelada. as pernas brancas de lado se encontravam na sua vagina desnuda; a barriga arquejava levemente, assim como os peitos com mamilos arrebitados; via-se partes do pescoço imóvel entre seus cabelos ainda mais bagunçados; os olhos pensativos fitavam o teto; abriu um sorriso bonito no rosto quando viu que eu a observava com avidez.
- diz me, não era virgem, né?
- não. mas minha ex só fazia sexo com luzes apagadas.
ela gargalhou com vontade fazendo os seios tremerem alucinadamente.
- como isso? é a primeira vez que vês um corpo de uma mulher?
- assim, sem receios, é. mas não me arrependo disso.
passei os dedos por sua cintura.
- que boba a sua ex. essas meninas...
- tá vendo porque eu prefiro uma velhinha como você?
sorriu, mas depois fechou-se em si, batendo os dedos nervosamente no tapete enquanto mordiscava a boca continuamente, mania que eu aprenderia a reconhecer não como um bom sinal.
postado por isa às 20:43
contos de escola ou menino-poeta, parte 8 e 9
parte 8
sorri, em êxtase. depois de tantas noites mal-dormidas, dormi. na minha boca ainda sentia o seu gosto, e a minha cabeça zunia lentamente, como quem é forçada a acreditar que um devaneio se realizou. devia ser a primeira vez de anos que isso acontecia. meus pés formigavam, ainda excitados. aquele dia não me masturbei, com medo que meus sonhos pertubassem a cena real que não saía da minha mente. estranhamente, sabia que aquilo era só o começo, e que nada podia dar tão errado. seria necessário agora só um esforço para derrubar uma convenção de moral estúpida. se ela realmente me quisesse... as aparências não seriam fortes o suficiente para derrubar tal paixão insalubre. fechei os olhos, calmo, agora meu coração parara de se sacudir e retumbava compassadamente, sem sair do ritmo. inspirei, para mergulhar na repetição periódica e infinita do que acabara de acontecer, coisa essa que agora parecia disforme, patética e irreal. será que era possível que eu me enganasse? será que sentir sua saliva era apenas minha imaginação exercendo sua incrível força sobre mim? adormeci, afastando tais pensamentos mórbidos, pois se isto era verdade, bem era também que eu estava já a ponto de ser internado.
parte 9
só fui tirar a dúvida de que minha cabeça não havia pregado uma peça em mim mesmo na segunda-feira. o sol de final de semana tinha se esvaído tanto como a certeza da minha lucidez, e o céu se revirava em tons de cinza, branco e roxo. tal professora maldita, quando não me matava por me fazer sofrer, invertia toda a ordem dos meus pensamentos, a percepção tão clara que eu sempre tive, a minha noção de realidade e sonho. nesses últimos meses, não sabia mais quem era eu. podia ter mudado por completo, e não já me reconhecia em parte alguma, a não ser na certeza estúpida de desejar esta mulher. quando bateu o sinal, esperei, com a cabeça e os olhos baixos, visivelmente pertubado. só quando senti que a classe retornava, devido a presença da professora, pude olhar para frente. ela colocava os seus livros e papéis inutéis na mesa do professor, inclinando-se levemente, mostrando suas batatas da perna brancas e redondas. usava uma saia esvoaçante, que deixava qualquer movimento insinuante. olhou para os alunos e sorriu. preguei os olhos nela, feito predador de olho na sua caça fugitiva, e neste momento, perpassou seus olhos felinos sobre mim, desfazendo o lindo sorriso, em uma careta rápida, emburrecendo as feições e, em seguida, virando-se de costas. aquilo não me agradara, mas, no ínfimo, vibrei. pelo menos louco, completamente louco, não estava; minha mãe agradece, professorinha. ela não quis ficar de frente à sala, nem falou muito. quando teve que explicar alguma coisa, sentava-se na sua mesa, arrastada para o canto extremo do qual eu sentava na sala. eu via que essa batalha ia me doer um tanto, mas era preciso enfrentá-la com todas as armas disponíveis. e não hesitei, pois não tinha chego a tal ponto para retroceder. agora já estava feito. não desviei meu olhar de seu semblante amargo durante um segundo, sentado de lado, com as mãos na carteira, sem me preocupar em fazer nenhum exercício. ela percebia, mas fingia que não. mexia nos cabelos, coaçava a perna, levantando a saia, quase sem consciência do pecado que cometia. no meio da aula, deu de andar para os lados e dar bronca a qualquer um que tivesse a infeliz idéia de perguntar alguma coisa. sorte dela que ninguém estava interessado em literatura, e por isso não tinha que aturar nenhuma voz interrogativa. quando vi que ela recolhia os materiais, olhando desesperada para o relógio na parede, levantei a mão. ela me ignorou. chamei-a, em meio aos zunidos e gritos de conversas e 'trucos'. ela me olhou, indagativa, com um pouco mais de agressão na expressão que o comum. sorri. ela virou de costas e sentou-se com as mãos na testa. continuei a olhá-la incessamente até o sinal bater. continuei a sustentar meu olhar, esperando sua próxima reação. talvez ela tivesse entendido. talvez ela se fingisse de burra. contraditoriamente, ela continuou sentada na sua mesa, escrevendo, até o último aluno retardatário sair. quando o silêncio tornou-se insuportável, ela voltou a me olhar com agressividade. eu já estava de pé, com a mochila nas cotas. virei-me, dando passos vaciltantes, mas ainda assim certeiros, em direção a porta. então, ouvi sua voz, que não era nem de longe, doce.
- agora espera, caralho.
virei meu rosto para sua figura empertigada, feito galo de briga, seus olhos continham uma fúria irreprensível, mas a boca sorria um sorriso torto e cruel. fechei a porta da sala. andei cambaleante até ela, e percebi como minha lentidão e minha ousadia a irritavam cada vez mais. quando cheguei perto, suficientemente perto para sentir seu perfume, seu sorriso se contraíra em uma feição que poderia ser de choro.
- o que você quer de mim, hein?
- de você, nada. nunca poderia cobrar nada de você.
- não tens nem o direito, menino. quer parar de me olhar desse jeito?
- não posso controlar, professora. sério, não ria assim, tão sarcasticamente. mas a senhora não tava achando que eu ia chegar aqui e esquecer tudo, não é?
- não acho porra nenhuma de você. acho que você devia sumir.
- sumir para que eu não te pertube mais? que decepção com a senhora.
dei um passo para trás. enquanto ela, andava para frente, com o peito estufado, as mãos na cintura, os cabelos embrenhados de louca cobrindo a cara.
- decepção? para mim, tudo isto era paixão. - dizendo isso olhou para o meio das minhas pernas, com os olhos apertados mostrando tal cinismo que nunca vi tão claro em sua voz ácida.
- mas é! por uma mulher que não siga convenções, que não se preocupe com as aparências, que não viva de acordo com o que a sociedade manda. mulher esta que você parece. mas vejo agora que só é primeira impressão. pena.
eu sabia que tinha acertado. ela me olhou atônita, deixando cair um dos braços, mole do lado do corpo. a coluna voltou a curvar-se, em posição de submissão e a boca se escancarou incoscientemente, mais parecendo uma revolucionária velha que descobre a falsidade de seus ideias. quando recuperou do sustou, passando a mão pelo rosto e pelos cabelos, e se apoiando na mesa, pegou uma papel e escreveu alguma coisa em tinta vermelha. abriu minha mão sem cerimônia e enfiou o papel entre meus dedos, fechando-a depois. ainda segurando minhas mãos, em um gesto que não era nem carinhoso nem fraternal, disse, com estupidez:
- sabia que seu discurso agressivo vale muito mais que seus poemas babacas e românticos que escreve.
'uuh, coração leviano, não sabes o que fez do meu.'
postado por isa às 13:45